Eólica offshore: como o Brasil vai definir onde os primeiros projetos poderão avançar 

O potencial de vento no mar não é suficiente para definir onde um projeto de geração eólica offshore pode ser instalado. Antes de oferecer uma área ao mercado, o poder público precisa verificar se ela é...

Plano Consulting
Plano Consulting
Redação · Grupo Plano
5 min de leitura
Compartilhar

O potencial de vento no mar não é suficiente para definir onde um projeto de geração eólica offshore pode ser instalado. Antes de oferecer uma área ao mercado, o poder público precisa verificar se ela é tecnicamente aproveitável, economicamente competitiva e compatível com atividades como pesca, navegação, conservação ambiental e outras formas de uso do espaço marítimo.

É esse processo que a metodologia publicada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) procura organizar. O documento estabelece como o governo poderá identificar e priorizar as áreas destinadas à futura cessão de uso para projetos eólicos offshore.

A publicação não apresenta ainda uma lista de locais selecionados. Ela define as etapas, os critérios gerais e os mecanismos de participação que deverão ser aplicados antes de cada oferta de áreas.

Escolha em três etapas

Na primeira etapa, serão retiradas da análise as áreas que apresentam impedimentos legais ou tecnológicos. O resultado será um conjunto inicial de regiões consideradas possíveis para o desenvolvimento da fonte.

A segunda etapa deverá excluir locais com restrições técnicas ou econômicas e áreas classificadas como extremamente sensíveis do ponto de vista ambiental ou socioeconômico. É nessa fase que conflitos com ecossistemas, atividades produtivas e outros usos do mar ganham maior peso.

Na terceira, as áreas restantes serão comparadas para definir quais podem se tornar setores para oferta. A análise econômica poderá considerar fatores como velocidade dos ventos, profundidade, distância da rede de transmissão e proximidade de portos, todos capazes de alterar o custo final de um projeto.

O método evita que a decisão seja orientada apenas pelo local com maior recurso eólico. Uma região com bons ventos pode exigir cabos mais longos, estruturas mais caras ou investimentos adicionais para conexão ao sistema elétrico. Também pode coincidir com áreas relevantes para a pesca, a navegação ou a preservação ambiental.

Planejamento deve antecipar conflitos, não substituir o licenciamento

A seleção das áreas ocorre em uma fase de planejamento setorial. Seu objetivo é evitar que regiões com impedimentos conhecidos ou conflitos elevados avancem para etapas que exigem estudos mais caros e decisões de investimento.

Isso pode reduzir riscos para o governo, para os empreendedores e para as comunidades afetadas. Projetos offshore envolvem aerogeradores, cabos submarinos, subestações no mar, conexão terrestre e infraestrutura portuária. Descobrir incompatibilidades somente depois da elaboração dos projetos pode significar atrasos, revisão de estudos e perda de recursos.

A metodologia, porém, não confirma a viabilidade de um empreendimento nem substitui o licenciamento ambiental. Os estudos realizados nessa etapa utilizam informações amplas e regionalizadas. Cada projeto ainda precisará produzir análises específicas sobre a posição das estruturas, os impactos locais e as medidas necessárias para sua implantação.

Critérios poderão mudar a cada rodada

A EPE optou por não fixar antecipadamente todos os parâmetros, pesos e limites da análise. Esses elementos deverão ser definidos e divulgados em cada aplicação da metodologia, conforme o objetivo da rodada, a evolução tecnológica e as características das regiões examinadas.

A flexibilidade permite incorporar novos dados e reconhecer que custos e tecnologias podem mudar. Uma profundidade considerada inviável hoje, por exemplo, pode deixar de ser uma barreira à medida que novas soluções avancem.

Ao mesmo tempo, essa escolha aumenta a importância da transparência. Os critérios, as bases de dados, os pesos utilizados e as justificativas para a priorização precisarão estar claros para que empresas, comunidades e instituições públicas compreendam como a decisão foi tomada.

A metodologia também prevê participação ao longo do processo. O mapeamento de sensibilidades deverá envolver instituições governamentais e outros atores relacionados aos usos do espaço marinho. As áreas preliminares ainda poderão ser discutidas em reuniões públicas, oficinas e consultas on-line antes da definição final.

A publicação da metodologia transforma uma discussão ampla sobre o potencial eólico brasileiro em um processo concreto de decisão. O desafio deixa de ser apenas localizar onde há vento e passa a ser identificar onde a geração pode avançar com custos viáveis, menos conflitos e maior segurança para os investimentos.

A qualidade das primeiras ofertas dependerá da aplicação do método: dados atualizados, critérios compreensíveis, participação efetiva e capacidade de revisar decisões diante de novas evidências. Planejar antes não elimina os riscos de um mercado ainda em formação, mas reduz a chance de que eles sejam descobertos apenas depois que os projetos já estiverem em andamento.


Informação confiável qualifica conversas e decisões.
» Compartilhe nosso conteúdo e ajude a transformar conhecimento em ação.

📲 Siga a gente também nas redes sociais!

Plano Consulting
Plano Consulting
Redação · Grupo Plano

O Plano Insights é o canal editorial do Grupo Plano, dedicado a traduzir temas de gestão, estratégia, governança e tecnologia em análises aplicadas para quem decide e executa em organizações públicas e privadas.

Política de Privacidade
A PLANO CONSULTORIA EMPRESARIAL,  reconhece a importância da privacidade de dados e o quanto é relevante os registros eletrônicos deixados por você (“Usuário”) na utilização dos diversos serviços no nosso site.

Nesse sentido, disponibilizamos a Política de Privacidade com o objetivo de informar de forma transparente, simples e objetiva, como os seus dados pessoais coletados serão tratados, utilizados e protegidos, buscando sempre atender ao que prevê a Lei Geral de Proteção de Dados.

Esta Política também informa como você ("Usuário") poderá acessar e atualizar seus Dados Pessoais, e exercer os seus direitos relativos a eles.

Encarregados pelo Tratamento de Dados Pessoais (Artigo 41 - Lei 13.709/2018 - LGPD):


a) Eduardo Lourenço, DPO - eduardo.lourenco@plano.inf.br
b) Charlimar Rabelo - charlimar.rabelo@plano.inf.br

 

LER POLÍTICA DE PRIVACIDADE DA PLANO