Prazo, escopo e orçamento já não definem o sucesso de um projeto

O projeto terminou no prazo, o orçamento foi respeitado e todas as entregas previstas foram concluídas. Ainda assim, a reunião de encerramento parece mais um velório do que uma comemoração. Os usuários não...

Plano Consulting
Plano Consulting
Redação · Grupo Plano
4 min de leitura
Compartilhar

O projeto terminou no prazo, o orçamento foi respeitado e todas as entregas previstas foram concluídas. Ainda assim, a reunião de encerramento parece mais um velório do que uma comemoração. Os usuários não gostaram da solução, a liderança não identificou impacto e a equipe sente que o esforço foi maior do que o benefício alcançado.

Quem trabalha com projetos provavelmente já acompanhou alguma versão dessa situação. Tecnicamente, a execução deu certo. Na prática, o valor da entrega não foi reconhecido.

Essa distância está no centro de uma análise de Dave Garrett, conselheiro sênior do PMI. O argumento é simples: prazo, escopo e orçamento continuam importantes, mas já não são suficientes para explicar por que um projeto é percebido como bem-sucedido.

A discussão se apoia em uma pesquisa do próprio PMI com 10 mil profissionais de projetos e 150 entrevistas aprofundadas. Entre os participantes, 74% associaram o sucesso à combinação entre boa execução e geração de um resultado considerado valioso. Em outras palavras, entregar corretamente é apenas uma parte da equação.

Os indicadores continuam fundamentais. Segundo o estudo, projetos com sistemas claros de medição têm o dobro de chance de ser percebidos como bem-sucedidos. O problema é que apenas 37% adotam em conjunto três práticas importantes: definir os critérios de sucesso no início, usar métricas para orientar decisões e acompanhar esses indicadores durante toda a execução.

Ainda assim, números precisam ser traduzidos. Dizer que um processo ficou 20% mais rápido pode significar pouco (ou até nada) para quem utiliza o serviço. Mas explicar que a mudança eliminou etapas, reduziu filas, ampliou o acesso ou liberou uma equipe para atividades mais estratégicas, torna o impacto muito mais que compreensível. Ele é sentido, visto, utilizado. 

Também não existe uma única percepção de valor. A diretoria pode esperar retorno financeiro; a equipe técnica, estabilidade; o usuário, simplicidade e acessibilidade, um serviço que funcione sem exigir conhecimentos extraordinários. Quando essas expectativas não são discutidas, todos podem apoiar a iniciativa no início e chegar ao final avaliando resultados completamente diferentes.

Ed Hoffman, ex-diretor de conhecimento da NASA e estrategista de conhecimento do PMI, reforça que uma avaliação consistente precisa observar mais do que a entrega final. Qualidade, eficiência operacional, valor de longo prazo, satisfação dos stakeholders, aprendizado e desempenho da equipe também ajudam a mostrar o que o projeto realmente produziu.

É aí que a gestão de percepções entra: não como tentativa de maquiar resultados, mas como parte da própria gestão. Significa combinar desde cedo o que será considerado sucesso, revisar expectativas quando o contexto mudar e manter os envolvidos informados sobre avanços, escolhas e limitações.

Essa comunicação também exige narrativa. Não uma história artificialmente positiva, mas uma explicação clara sobre qual problema motivou o projeto, por que determinadas escolhas foram feitas, que ganhos já apareceram e o que ainda precisa ser ajustado.

Em iniciativas de transformação, muitas soluções tecnicamente adequadas encontram resistência porque a mudança não foi compreendida ou porque seus benefícios nunca foram relacionados à rotina das pessoas afetadas. A entrega existe, mas não se converte em adoção, legitimidade ou impacto.

Um projeto não passa a ter valor apenas porque o relatório final afirma que ele teve. Esse valor precisa aparecer na experiência das pessoas, nos resultados da organização e na capacidade de resolver o problema que justificou sua existência. O cronograma termina com a entrega; o projeto só se completa quando seu impacto é reconhecido.


Informação confiável qualifica conversas e decisões.
» Compartilhe nosso conteúdo e ajude a transformar conhecimento em ação.

📲 Siga a gente também nas redes sociais!

Plano Consulting
Plano Consulting
Redação · Grupo Plano

O Plano Insights é o canal editorial do Grupo Plano, dedicado a traduzir temas de gestão, estratégia, governança e tecnologia em análises aplicadas para quem decide e executa em organizações públicas e privadas.

Política de Privacidade
A PLANO CONSULTORIA EMPRESARIAL,  reconhece a importância da privacidade de dados e o quanto é relevante os registros eletrônicos deixados por você (“Usuário”) na utilização dos diversos serviços no nosso site.

Nesse sentido, disponibilizamos a Política de Privacidade com o objetivo de informar de forma transparente, simples e objetiva, como os seus dados pessoais coletados serão tratados, utilizados e protegidos, buscando sempre atender ao que prevê a Lei Geral de Proteção de Dados.

Esta Política também informa como você ("Usuário") poderá acessar e atualizar seus Dados Pessoais, e exercer os seus direitos relativos a eles.

Encarregados pelo Tratamento de Dados Pessoais (Artigo 41 - Lei 13.709/2018 - LGPD):


a) Eduardo Lourenço, DPO - eduardo.lourenco@plano.inf.br
b) Charlimar Rabelo - charlimar.rabelo@plano.inf.br

 

LER POLÍTICA DE PRIVACIDADE DA PLANO