O Ministério das Comunicações divulgou o resultado provisório de um edital do Fust para levar internet de alta velocidade e Wi-Fi a 2.018 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). As propostas selecionadas somam R$ 43 milhões, ante previsão inicial de R$ 58 milhões. A implantação deverá ocorrer em duas etapas, com conclusão prevista para outubro de 2027.
Digitalizar um serviço público produz pouco resultado se o local que atende a população não possui conectividade suficiente para utilizá-lo.
Esse problema aparece de forma concreta no novo edital do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). A iniciativa pretende conectar mais de 2 mil CRAS que ainda não dispõem da infraestrutura prevista, distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal.
São unidades que funcionam como porta de entrada da assistência social para famílias em situação de vulnerabilidade. A conexão poderá apoiar tanto o trabalho dos profissionais quanto o acesso da população a serviços públicos digitais, consultas sobre benefícios, capacitação e oportunidades de emprego.
Infraestrutura na ponta
A expansão do governo digital costuma ser medida pelo número de serviços disponíveis online. Mas a capacidade de utilizá-los depende também das condições existentes onde cidadãos e servidores acessam esses sistemas.
No caso dos CRAS, conectividade interfere no atendimento, na consulta a informações, na operação de sistemas administrativos e na orientação oferecida à população.
Isso evidencia uma dimensão frequentemente menos visível da transformação digital: antes de integrar plataformas, automatizar processos ou ampliar o uso de dados, é preciso garantir infraestrutura mínima de acesso.
A lógica é especialmente importante em serviços destinados a públicos vulneráveis. Transferir uma etapa para o ambiente digital não representa necessariamente inclusão se o usuário depende de um equipamento público para conseguir realizá-la.
Valor do edital
O resultado provisório selecionou propostas que totalizam R$ 43 milhões. A estimativa inicial era de R$ 58 milhões, uma diferença de R$ 15 milhões.
O dado é positivo do ponto de vista da contratação, mas ainda não equivale a uma economia efetivamente realizada.
O processo continua em fase de seleção, e o resultado definitivo ainda precisa ser consolidado. Depois disso, será necessário acompanhar a implantação e verificar se as unidades previstas foram efetivamente conectadas dentro dos requisitos, custos e prazos estabelecidos.
Essa distinção é importante para qualquer análise de projetos públicos: reduzir o valor previsto na etapa de contratação é diferente de entregar o mesmo resultado por um custo menor.
A economia só se confirma integralmente quando a infraestrutura é implantada conforme as condições definidas e o serviço passa a funcionar.
Execução
O cronograma prevê conectar metade das unidades até abril de 2027 e concluir as demais até outubro.
A partir daí, o indicador mais relevante deixa de ser apenas quanto foi contratado.
Será necessário observar quantas unidades receberam infraestrutura, se a conexão atende às condições previstas, quanto tempo levou para entrar em operação e se permanece disponível com qualidade suficiente para sustentar os serviços.
O edital é a primeira iniciativa do Fust voltada especificamente à conectividade dos CRAS, ampliando uma estratégia que já alcança outros equipamentos públicos, como escolas e unidades de saúde.
Isso mostra uma mudança importante na discussão sobre inclusão digital. A infraestrutura não precisa chegar apenas às residências. Também precisa estar presente nos pontos onde o Estado presta serviços e onde parte da população depende de atendimento assistido para acessar o ambiente digital.
Transformação digital inclusiva, portanto, não começa apenas no sistema que aparece na tela. Começa garantindo que a ponta do serviço tenha condições reais de se conectar a ele.
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